ABPA na Mídia






31/08/2017

SIAVS encerra programação com discussões sobre bem-estar animal, logística e perfil do novo consumidor

Evento realizado pela ABPA teve também painéis sobre segurança do trabalho e inovação

 

O último dia do Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS) foi marcado por debates sobre temas cada vez mais presentes no setor de proteína animal. Os painéis abordaram questões como bem-estar animal, perfil do novo consumidor, saúde e segurança do trabalho, inovação e desafios logísticos. A programação, promovida pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), encerrou nesta quinta-feira (31), em São Paulo/SP.

Nos últimos anos, a demanda por produtos que atendem a rígidos critérios de bem-estar dos animais avançou mundialmente. Vice-presidente de Comunicações da Animal Agriculture Alliance, Hannah Thompson-Weeman apresentou as mudanças realizadas por produtores para corresponderem ao compromisso de supermercados e restaurantes de comprar apenas ovos de galinhas não criadas em gaiolas. “A indústria está aberta para ouvir os consumidores e atender suas necessidades. Existe hoje uma necessidade de adequação radical, mas isso vai precisar de tempo e grandes investimentos”, ponderou a executiva americana.

Detalhando a realidade brasileira, a produtora Daniela Duarte de Oliveira chamou atenção para as consequências econômicas geradas a partir da transformação do sistema de produção. “Tudo tem custo. Vamos precisar de espaço maior, mais funcionários, novos equipamentos e instalações, enquanto a produtividade cairá. Algumas empresas vão quebrar e, inevitavelmente, o preço do ovo vai subir. Devemos considerar não apenas o bem-estar animal, mas também o direito do consumidor”, defendeu Daniela.  Também participaram no painel Juliana Ribas, da Agroceres PIC, Rodrigo Moreira Dantas, do Ministério da Agricultura, e Jose Rodolfo Ciocca, da World Animal Protection.

 

Desafios logísticos

Logística e abastecimento de grãos estão entre os principais entraves para o setor no Brasil. Everton Correia do Carmo, coordenador-geral de Planejamento e Logística do Ministério dos Transportes, apresentou os detalhes do Projeto Corredores Logísticos Estratégicos, um planejamento de curto e médio prazo com a previsão de ações específicas para o complexo de soja e milho. "A fronteira agrícola no Brasil foi se expandindo da Região Sul e Sudeste para o Centro-Oeste e parte do Nordeste. Temos a consciência de que a estrutura de transporte não acompanhou esse crescimento e acabou criando os gargalos que temos hoje", explica. O estudo, finalizado em 2016, é um diagnóstico estrutural dos modais de transporte brasileiro – com identificação dos fluxos de carga e os detalhes das rotas de escoamento – que indica os investimentos prioritários para atender as necessidades domésticas.

O mercado mundial de milho também foi debatido. Paulo Sousa, líder da unidade de negócios da Cargill de São Paulo/SP, tratou das particularidades do modelo de comercialização da safrinha e sua relevância para o atual cenário nacional de exportação. Segundo ele, o Brasil hoje é responsável por 22% do fluxo global do grão e por 50% da oferta mundial entre agosto e janeiro, além de ser a origem mais barata do produto. Arene Trevisan, diretor de Originação da Seara Alimentos, apresentou as estratégias para o abastecimento do cereal no setor de proteína animal. Complementando a exposição anterior, exibiu um mapa da capacidade portuária brasileira, reconheceu gargalos, mas pontuou: "os desafios na logística não foram obstáculos para o Brasil dobrar a produção de grãos na última década". Para ele, é possível buscar um equilíbrio maior entre modais na próxima década, bem como diminuir o desequilíbrio regional entre consumo e produção.

 

Atendendo as novas demandas do consumidor

Com o objetivo de aprofundar o perfil do novo consumidor global, um painel reuniu especialistas da academia e da indústria no SIAVS. Estiveram na pauta estratégias de agregação de valor para atender mercados importadores específicos e inovações para corresponder às expectativas do consumidor brasileiro atual. Palestraram Renato Irgang, da UFSC, Fabio Bagnara, da BRF, e Mathew Perkins, da empresa global Elanco.

Perkins desvendou mitos sobre produtos cárneos. O especialista americano analisou o resultado de uma pesquisa que mostrou o uso de hormônios nos frangos – prática que não ocorre e é proibida por lei – entre as maiores preocupações da população. “Temos o desafio de melhorar a nossa comunicação, estabelecendo uma conversa com o consumidor”, ponderou o especialista americano, ressaltando as oportunidades de uma maior conexão das marcas com os integrantes da geração Y.

 

Segurança do trabalho no Brasil e na Europa

A prevenção de acidentes na agroindústria e a reabilitação de trabalhadores foram o foco do painel "Saúde e segurança do trabalho". Entre os assuntos debatidos estavam as novidades em tecnologias para prevenção e ginástica laboral, legislações e tratamento de desordens osteomusculares. O destaque do evento foi Baldur Oscar Schubert, da Organização Ibero-americana de Seguridade Social (OISS), que fez um paralelo entre os procedimentos de reabilitação realizados no Brasil e na Europa.

Para Ricardo de Gouvêa, presidente da Câmara de Sustentabilidade e Relações Laborais da ABPA, esse é um tema que ganha em relevância por tratar da integridade física das pessoas, mas também por ser um aspecto determinante na produtividade das empresas. “A saúde e a segurança do trabalho no setor frigorífico são alvos prioritários das ações do setor, e têm conquistado importantes avanços com acordos entre trabalhadores, agroindústrias e autoridades", avaliou.

 

Inovações no abate e processamento de aves e suínos

Como a tecnologia tem afetado a indústria de proteína animal e as novidades em pesquisa e desenvolvimento foram os temas apresentados no painel “Inovações no abate e processamento de aves e suínos”. Luis Gustavo Delmont, do Senai de Brasília/DF, falou da importância da convergência digital para acompanhar as transformações do mercado global. Ele apresentou ações desenvolvidas pelo Senai, como o Programa Brasil Mais Produtivo, que propõe o aumento de 20% de produtividade das empresas através da melhoria de processos. O programa já beneficiou mais de 3.000 empresas no país, sendo 604 no segmento alimentício.